19 de março de 2014

Papá

Não me lembro de seres um pai ausente. Sei que passavas a semana fora e voltavas aos fins-de-semana. Era pequena demais para perceber isso. Estiveste comigo em todos os aniversários, em todos os natais, carnavais e outros que tais. Davas-me banho, mudavas-me as fraldas, vestias-me. Levavas-me a passear. Interessavas-te pela minha escola. Ficaste contente quando aprendi a escrever o meu nome. E a ler.

Deste uma única palmada em toda a minha vida. Eu tinha medo de algas e tu  não me perdoaste naquele dia na Figueirinha quando uma teimou em agarrar-se ao meu pé. Deitaste a minha cassete da Ana Malhoa fora pelas estradas do Gerês. Até hoje negas esse facto. E ris. Na verdade, não há mais nada que tenha a apontar-te. Sempre fizeste o teu melhor e isso reflecte-se na pessoa em que me tornei.

Adoptei a tua pontualidade e a mania de que "se é para ser feito, é já". Não expresso os meus sentimentos  com facilidade... tal como tu. Mas sei fazê-lo no momento certo. Tal como tu. Aprendi a ser poupada, a lutar pelos meus objectivos porque nunca desistiram de mim. Eu sei que levaste uma facada quando saí do secundário sem o terminar. "E agora?" Eu pensei o mesmo... mas deste-me força para ir em frente. Inscrevi-me num curso e lá fui eu acabar o décimo segundo ano.

Ao início estranhaste... começava tudo a ser novo. Aulas à noite, pouco ou nada fazia de dia. Não sei, até hoje, o que pensaste de mim naqueles longoooos seis meses que durou o curso. Mas sei que me viste a adoptar outra atitude. Passei a ser mais responsável. Passei a agarrar as coisas com outro ânimo, outro esforço.

No dia de receber o diploma tu estavas lá. No dia em que me inscrevi na faculdade tu estavas lá. E foi aí que eu senti que tinha de retribuir tudo aquilo que tinham feito por mim até ali.

Tornei-me batalhadora. Porém, escolho bem as minhas batalhas. Não quero tudo de repente. "Uma coisa de cada vez" dizes-me sempre. "Vai correr bem", "Faz as coisas com calma". E com isto já passaram quase dois anos de orgulhos sucessivos. Sinto que as minhas vitórias são as tuas e também eu sinto orgulho nisso.

Agradecer-te novamente por tudo seria demasiado... Já o faço todos os dias. Mas ainda assim consigo ter fôlego suficiente para agradecer a Deus o pai maravilhoso que me deu. Nunca tive um segundo pai por isso, para mim, és mesmo o melhor pai de todo o mundo, universo e arredores. Não há quem te substitua.


12 comentários:

  1. Oh, que bonito :)
    É tão bom ter alguém que nos apoia dessa maneira calorosa! Que venham muitos mais 'orgulhos'. Beijo

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  2. Pai...para os altos e baixos...haverá algo melhor? =)

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  3. Muito bonito :)
    Espero que tenha sido um dia bom.

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  4. Que lindo texto, gostei. :) Mas está-me a crer que na altura o teu pai já te protegia do futuro, daí ter mandado a cassete fora não fosses tu idolatrar a Ana Malhoa e encher-te de tatuagens e outras coisas que tais. :P (brincadeiraaaa)
    Em resposta ao que me disseste, sim sou igual. Uma hora antes mesmo sabendo onde fica o sitio, ir a pé e saber que demoro 20 minutos. xD

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    1. Eheheheheheh exactamente!
      Hoje não posso com ela, salvou-me =P

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Respondo quase sempre aos comentários por aqui mas faço questão, também, de ir sempre aos vossos cantinhos.
Obrigada por passarem por aqui. =D