17 de março de 2014

Pessoas que me inspiram.

O Miguel. O Miguel tinha tudo para se considerar um homem feliz. Conhecido no meio automobilístico pelo Vasco da Gama dos pilotos, tinha, a par disso, uma empresa de barcos de recreio e uma família. Uma família que foi construindo ao longo da vida e que nada fazia prever que em poucos minutos a mesma sofresse a reviravolta que sofreu.


Passo a transcrever um pouco do perfil que escrevi sobre o Miguel para o site Loc:


« Piloto de automóveis, empresário, casado e com três filhos. A vida não podia correr melhor a Miguel Vilar. Até uma pedra se atravessar no seu caminho e lhe levar parte da massa encefálica. Recusou-se a desistir e recuperou de forma miraculosa. Hojeapós ter regressado às competições e atravessado de bicicleta os Estados Unidos, frequenta o mestrado em Ciência Política na Lusófona. Aos 57 anos passou a livro a sua incrível história O título, para quem desconhece impossíveis, é o mais lógico: Entro no palheiro… E sento-me na agulha!  

De postura séria, mas sorriso fácil. As mãos de Miguel Vilar gesticulam à medida que vêm à conversa as aventuras com que a vida o presenteou. Os dias dividem-se entre os passeios de bicicleta e os estudos na Lusófona, enquanto saboreia a vitória de ver publicada “a incrível história de quem esteve do outro lado”, como se lê no subtítulo de Entro no palheiro… E sento-me na agulha!  

No livro de Miguel descobre-se que os impossíveis podem tornar-se realidade. Apaixonado por desporto automóvel, foi piloto, co-piloto e navegador. “Consegui ser o Vasco da Gama dos pilotos portugueses", conta. Iniciou-se nas corridas em 1974 e passou por provas como a Fórmula Ford ou o Europeu de Fórmula Opel. Venceu ao lado de nomes como Damon Hill e Michael Schumacher e arrecadou alguns dos troféus mais importantes na modalidade.  

O êxito também lhe bateu à porta nos negócios com a Bayline, empresa de barcos de recreio de luxo, que chegou a liderar o mercado no setor. Casado e com três filhos, somava sucessos pessoais e profissionais A 28 de janeiro de 1997, uma pedra de cinco quilos atravessou o para-brisas do automóvel que conduzia na A5 e acertou-lhe em cheio na cabeça. Nesse momento, "perdi tudo", afirma. »

Podem ler o resto aqui.



Hoje foi a apresentação do livro do Miguel. Calhou-me a mim a cobertura do evento mas mesmo que não tivesse calhado com toda a certeza que estaria lá à mesma para lhe dar um sincero abraço e os meus parabéns... em Setembro do ano passado, quando entrevistei o Miguel, caraças... há coisas da vida que não conseguimos entender e o Miguel acertou no meu caminho numa altura menos boa para mim.

Falei com ele, desabafou comigo. Em pouco mais de duas horas contou-me a vida dele. Pequena, marcante. Tal como o próprio Miguel. Hoje foi o seu dia de brilhar mas nem assim quis protagonismo. Preferiu dá-lo aos amigos que encheram o auditório para uma salva de palmas. Merecidas. Entrevistei-o no fim e vi-lhe os olhos molhados. Estava emocionado. Os amigos rodeavam-no constantemente. Arrepiei-me ao ouvir as palavras proferidas pelo seu professor e amigo José Pinto. Apresentou-lhe o livro tão bem... mesmo ao género do Miguel.

"O Miguel merece-o", confesso-lhe. "Nada disso... eu sou igual aos outros", sussurrou-me enquanto me abraçava. Gostei muito de conhecer o Miguel. Há pessoas que nos marcam. Umas pela negativa e outras... caramba! Que positivismo! O homem quase perdeu a vida, aliás, perdeu mesmo a sua vida e hoje olhei para ele... ali. Erguido como se nada lhe tivesse passado por cima.

Leiam a história do Miguel, partilhem-na, comprem o livro dele. "Entro no palheiro e sento-me na agulha", "porquê este título Miguel?", pergunto-lhe curiosa; "Porque com a sorte que eu tenho tido ao longo da minha vida era mais fácil ganhar o euro milhões do que não me sentar na agulha... mas eu tenho a certeza, se me sentasse em cima da agulha iria rir tanto que no momento a seguir já estava de pé, novamente".

Bravo, Miguel! Obrigada por tudo, tem aqui uma amiga para a vida, como eu sei que tenho em si um amigo para sempre.

16 de março de 2014

Recomeçar.

Não julguem que fui assaltada e levaram-me os post's todos. Aliás, posso dizer-vos que foi a decisão mais certa que tomei. Havia coisas que já não faziam sentido, outras tantas que o tempo das mesmas já tinha passado. Acho que não vinha cá mais vezes por já não me identificar com aquilo que tinha aqui... com as palavras, com as emoções... os textos, as pessoas.

Acredito que há um tempo certo para cada coisa e a Sem Açúcar do antigamente começava a escapar-se por entre os meus dedos e eu já a pensar em mudar de casa... impaciente... a bater com o pé no chão sem saber o que fazer realmente.

Mas depois pensei... já passei aqui tanta coisa boa... vocês desse lado já me ajudaram tanto! Não ia ser acertado da minha parte.

Por isso, é com todo o gosto do mundo que venho comunicar-vos que o novo Sem Açúcar, se faz favor recomeça hoje.

Já vos disse que adoro recomeços? Tanto espaçoooooo para poder escrever. Tantas folhas brancas!!! Que bom ter esta liberdade de rasgar o caderno, comprar outro e começar de novo...

Virei a página. Espero continuar a contar convosco desse lado, como sempre.

Obrigada