O Miguel. O Miguel tinha tudo para se considerar um homem feliz. Conhecido no meio automobilístico pelo Vasco da Gama dos pilotos, tinha, a par disso, uma empresa de barcos de recreio e uma família. Uma família que foi construindo ao longo da vida e que nada fazia prever que em poucos minutos a mesma sofresse a reviravolta que sofreu.
Passo a transcrever um pouco do perfil que escrevi sobre o Miguel para o site Loc:
« Piloto de automóveis, empresário, casado e com três filhos. A vida não podia correr melhor a Miguel Vilar. Até uma pedra se atravessar no seu caminho e lhe levar parte da massa encefálica. Recusou-se a desistir e recuperou de forma miraculosa. Hoje, após ter regressado às competições e atravessado de bicicleta os Estados Unidos, frequenta o mestrado em Ciência Política na Lusófona. Aos 57 anos passou a livro a sua incrível história. O título, para quem desconhece impossíveis, é o mais lógico: Entro no palheiro… E sento-me na agulha!
De postura séria, mas sorriso fácil. As mãos de Miguel Vilar gesticulam à medida que vêm à conversa as aventuras com que a vida o presenteou. Os dias dividem-se entre os passeios de bicicleta e os estudos na Lusófona, enquanto saboreia a vitória de ver publicada “a incrível história de quem esteve do outro lado”, como se lê no subtítulo de Entro no palheiro… E sento-me na agulha!
No livro de Miguel descobre-se que os impossíveis podem tornar-se realidade. Apaixonado por desporto automóvel, foi piloto, co-piloto e navegador. “Consegui ser o Vasco da Gama dos pilotos portugueses", conta. Iniciou-se nas corridas em 1974 e passou por provas como a Fórmula Ford ou o Europeu de Fórmula Opel. Venceu ao lado de nomes como Damon Hill e Michael Schumacher e arrecadou alguns dos troféus mais importantes na modalidade.
O êxito também lhe bateu à porta nos negócios com a Bayline, empresa de barcos de recreio de luxo, que chegou a liderar o mercado no setor. Casado e com três filhos, somava sucessos pessoais e profissionais. A 28 de janeiro de 1997, uma pedra de cinco quilos atravessou o para-brisas do automóvel que conduzia na A5 e acertou-lhe em cheio na cabeça. Nesse momento, "perdi tudo", afirma. »
Podem ler o resto aqui.
Hoje foi a apresentação do livro do Miguel. Calhou-me a mim a cobertura do evento mas mesmo que não tivesse calhado com toda a certeza que estaria lá à mesma para lhe dar um sincero abraço e os meus parabéns... em Setembro do ano passado, quando entrevistei o Miguel, caraças... há coisas da vida que não conseguimos entender e o Miguel acertou no meu caminho numa altura menos boa para mim.
Falei com ele, desabafou comigo. Em pouco mais de duas horas contou-me a vida dele. Pequena, marcante. Tal como o próprio Miguel. Hoje foi o seu dia de brilhar mas nem assim quis protagonismo. Preferiu dá-lo aos amigos que encheram o auditório para uma salva de palmas. Merecidas. Entrevistei-o no fim e vi-lhe os olhos molhados. Estava emocionado. Os amigos rodeavam-no constantemente. Arrepiei-me ao ouvir as palavras proferidas pelo seu professor e amigo José Pinto. Apresentou-lhe o livro tão bem... mesmo ao género do Miguel.
"O Miguel merece-o", confesso-lhe. "Nada disso... eu sou igual aos outros", sussurrou-me enquanto me abraçava. Gostei muito de conhecer o Miguel. Há pessoas que nos marcam. Umas pela negativa e outras... caramba! Que positivismo! O homem quase perdeu a vida, aliás, perdeu mesmo a sua vida e hoje olhei para ele... ali. Erguido como se nada lhe tivesse passado por cima.
Leiam a história do Miguel, partilhem-na, comprem o livro dele. "Entro no palheiro e sento-me na agulha", "porquê este título Miguel?", pergunto-lhe curiosa; "Porque com a sorte que eu tenho tido ao longo da minha vida era mais fácil ganhar o euro milhões do que não me sentar na agulha... mas eu tenho a certeza, se me sentasse em cima da agulha iria rir tanto que no momento a seguir já estava de pé, novamente".
Bravo, Miguel! Obrigada por tudo, tem aqui uma amiga para a vida, como eu sei que tenho em si um amigo para sempre.

